terça-feira, agosto 08, 2006

Um dia antes da minha vida irônica me trazer para Brasília, pensava demais e nem imaginava:

"Pe. Hugo de 20h às 22h, impreterivelmente. E poderia questionar coisas agora, planejar, especular, chorar ou evadir. Mas, se penso muito, posso me sentir vazio, posso ver correntes nos meus punhos. Posso não poder muito.

Acho que estou desenvolvendo uma paciência com a vida. E também estou vendo que minha paciência com os outros é mais por necessidade que por virtude, ao menos no meu egocentrismo.

Hoje me sinto pequeno e inofensivo. Me sinto bem preso neste corpo, neste apartamento, nesta vida de onde não poderia escapar com facilidade. Esta noite - hoje isso parece extraordinariamente cinza - não poderia andar mais que alguns metros antes do dia clarear. Não há entidades, não há aventuras... Se eu resolver procurar, talvez nem amigos haja. Não há evasão! Uma constatação que deveria ser aterrorizante. Para o meu "eu que fui", aterrorizante é a apatia deste limbo, o silêncio antes de nada mais.

O sim eterno de quando o verbo não tem sobre o que falar.

Hoje também vi apartamentos sendo desocupados e esse fim de era só foi triste porque é fim e é vazio. Acaba assim, às cinzas retornadas e sem chegar a nada mais. "