Nova ponte aérea

Minha tristeza não tem fim, por uma história que também não tem, mas pelos intervalos que brincam de pausas semibreves e insistem numa melodia que me quebra, me desarranja e bate em síncope o meu coração.
É a falta do gosto, a falta da vida, da cor. É a saudade de tudo.
É o medo do escuro, da dor, do topor e do esquecimento. É meu lamento mudo, que não tem quem o escute.
É o quarto sem ele lá, ele sem eu aqui, e memórias, pensamentos tortos. É falta de escrever, de ser mesmo, de desenrolar. É o aqui e o lá, que juntos nos separam.
De que adianta cantar sozinho meu lamento, minhas notas bobas?
Minha música só tem vida para ele.
Até logo, São Paulo.

