segunda-feira, novembro 06, 2006

Vamos Criticar - Parte 3 - Bajofondo Tango Club

Bajofond Tango Club

O Brasil já tinha se acostumado com a tal modernidade musical, que mistura samba, bossa e drum and bass, no mínimo. Na verdade, primeiro o resto do mundo se acostumou e depois o Brasil aderiu, como quase sempre acontece, já que as coisas chegam por último aqui, mesmo as que nascem em solo tupiniquim.

Pois bem.

Agora os argentinos acordaram que, para eles, é muito mais divertido tomar um vinho ao som do tango que tentar improvisar na bossa-nova, mesmo que remix.

O Bajofound Tango Club é, então, uma dessas novas bandas mudernas argentinas, que desfilam batidas sampleadas com rompantes explosivos de acordeons e violinos frenéticos, no embalo eletrônico, mas com a cadência triste e melódica do tango em que os “s” se pronunciam como “r”.

Destaque para as capas, que retiram dos ícones mais inconscientes do tango os elementos mais digitais, assim como a música, nesse caso, foi capaz de fazer.

Nasceu o eletrônico castellano. E seja bem-vindo.

Vamos Criticar - Parte 2 - Apollo Nove

Já faz uns anos que os modernos ostracistas do Brasil cantaram suas canções do exílio, com acordes da terra e sons do exterior – e vice-versa. No começo da década de dois mil, os tais chill-outs que pipocaram em todas as festas e raves acordaram e importaram esse novo som brasileiro, que já era bastante batido do lado de fora com Cibelle, Suba, Zuco 103 – que brincaram com “O Homem da Gravata Florida”, do Ben – e até a velha-de-guerra Bebel Gilberto, que andava bem esquecida aqui, no lado de dentro.

Hoje, com a redescoberta da Trama Records, qualquer Luciano Huck toca essa nova MPB estrangeira, que se reencontra com o som de casa e produz coisas bem interessantes.

E é aí que vem meu novo disco preferido, Res Inexplicata Volans, do produtor Apollo Nove. É um som brasileiro que voltou do intercâmbio com sotaque francês, espanhol e todo vestido de londrino. E é meu som preferido do momento porque traz barulhos nostálgicos de décadas passadas, que lembram o mormaço tedioso do domingo quente, os shorts Adidas e longas viagens pela BR101, quando a Elis ainda dava os últimos suspiros daquela música brasileira que não se compõe mais.

Vamos Criticar - Parte 1 - Cansei de Ser Sexy

Prosseguindo com meus “ensaios literários de pré-concepção”, me inspirei muito esse fim de semana ao resgatar umas músicas que o Saraiva tinha me mandado e que ainda não tive tempo de escutar. Com isso, abandonei – talvez temporariamente – o Confessions on a Dancefloor e renovei os MP3 do meu player.

Com isso, vão algumas dicas também para quem quiser conhecer coisas novas (e algumas nem tanto):

Cansei de Ser Sexy
Eles são paulistanos no sentido mais tétrico da palavra, e se entregaram à tal pós-modernidade caótica para tentar reviver a nostalgia cinza e preta da década de oitenta. No começo, quando a proposta ainda era inédita, foram falados e comentados por todos os veículos que têm essa preocupação comercial em se mostrar os top of the pops da contemporaneidade. Hoje, pelo que sei, eles usam as mesmas roupitchas oitentistas, os mesmos cabelos punk e os mesmos brincos em formato de raios, mas o som nunca saiu de ser uma experimentação alternativa. O que, diga-se de passagem, é ótimo! Eles brincam com letras pretensamente sexys e fazem uma boa mistureba de guitarras e elementos eletrônicos. O som, no final das contas, fica ótimo para ouvir no carro, voltando do trabalho, principalmente se o eixão estiver descongestionado e a gente tiver que se preocupar só em reduzir pra passar nos pardais.